Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

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Publicado em 01/03/2019

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Muçulmanos atacam 200 famílias cristãs após falsa acusação de 'blasfêmia' no Paquistão

Os ataques ocorreram após um casal muçulmano fazer falsas acusações contra quatro cristãs, afirmando que elas profanaram o Alcorão.


Muçulmanos fazem protesto violento contra cristãos no Paquistão. (Foto: ICC)


Uma multidão de extremistas islâmicos atacou cerca de 200 famílias cristãs, expulsando-as de suas casas, no Paquistão. A sequência de ações violentas ocorreu depois que quatro mulheres cristãs foram falsamente acusadas de blasfêmia na semana passada.


O grupo cristão de vigilância de perseguições, International Christian Concern (ICC), relatou os eventos ocorridos na semana passada no bairro de Farooq-e-Azam, na quinta cidade mais populosa do Paquistão, Karachi.


A organização relata que uma mulher muçulmana chamada Samina Riaz acusou quatro cristãs com idades entre 14 a 30 anos de profanarem o Alcorão na última terça-feira, de acordo com uma testemunha ocular.


A acusação foi feita depois que Riaz e seu marido (muçulmanos) foram convidados por Amjad Dildar — propietário da casa onde moravam — a desocupar o imóvel alugado, porque estavam "causando problemas entre as famílias cristãs da comunidade".


Na terça-feira passada, Riaz acusou três das filhas de Dildar e outra mulher cristã de danificarem uma cópia do Alcorão, o livro sagrado do Islã. As acusadas ​​de blasfêmia são Sunaina Amjad, de 22 anos, Sophia Amjad, de 18 anos, Soneha Amjad, de 14 anos, e Sophia Qamar, de 30 anos.


"Ela alegou que eles roubaram uma cópia do Alcorão e a mergulharam em uma bacia de água suja", disse a testemunha local Aslam Masih à ICC.


A notícia da acusação espalhou-se com rapidez, o que supostamente inspirou uma multidão de moradores muçulmanos enfurecidos a se reunir no bairro. Segundo a testemunha, a multidão de extremistas atacou várias propriedades cristãs na área e uma igreja local. A casa de Dildar estava entre as que foram danificadas por pedras. O grupo armado também matou animais de estimação e gado.


Ao todo, cerca de 200 famílias cristãs fugiram do bairro em busca de segurança em outras áreas da cidade.


Acusação desmentida

Masih disse à ICC que, após uma investigação policial, ficou sabendo que a própria Riaz pegou emprestado a cópia do Alcorão de um comerciante vizinho e ela mesma submergiu o livro em água suja, no banheiro de sua casa.


Riaz e seu marido foram presos depois. Riaz supostamente admitiu que ela orquestrou a coisa toda.


"Os pensamentos e orações da ICC vão para as quatro mulheres cristãs que foram falsamente acusadas e para a comunidade cristã de Farooq-e-Azam", disse William Stark, gerente regional da ICC, em um comunicado.


A acusação feita por Riaz destaca como as leis de blasfêmia amplamente criticadas no Paquistão são frequentemente usadas em maioria por muçulmanos como forma de acertar contas pessoais com minorias religiosas. Ativistas de direitos humanos pedem há muito tempo que as leis contra a blasfêmia sejam abolidas. Na verdade, o Departamento de Estado dos EUA divulgou uma declaração no verão passado condenando leis de blasfêmia em países como o Paquistão.


Aqueles condenados sob as leis de blasfêmia do Paquistão podem estar sujeitos à pena de morte ou prisão perpétua. Embora nenhuma pessoa acusada de blasfêmia tenha sido executada pelo sistema judicial do Paquistão, os cristãos no passado foram brutalmente mortos como resultado da violência social provocada por acusações de blasfêmia contra eles.


Asia Bibi, mãe cristã de cinco filhos, foi acusada de blasfêmia em 2009 depois de uma discussão com trabalhadores rurais muçulmanos com quem trabalha. Ela foi condenada e passou anos no corredor da morte, antes de ser absolvida no ano passado pela Suprema Corte do país. Sua absolvição foi confirmada no início deste mês.


O grupo católico de direitos humanos Ajuda à Igreja que Sofre, alertou no início deste mês que apesar da absolvição de Bibi, há muitos outros cristãos que foram falsamente acusados ​​de blasfêmia. Um deles é um jovem cristão chamado Sawan Masih que foi condenado à morte por blasfêmia em 2014. Depois de cinco anos, Masih ainda aguarda o processo de apelação.


"O uso abusivo das notórias leis de blasfêmia do Paquistão deve ser refreado", disse Stark em seu comunicado. "Com muita frequência, essas leis têm sido uma ferramenta nas mãos de extremistas que buscam incitar a violência por motivos religiosos contra as comunidades minoritárias. Sem uma reforma real, as minorias religiosas, incluindo os cristãos, enfrentarão mais falsas acusações de blasfêmia e a extrema violência que freqüentemente acompanha essas acusações".

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