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Publicado em 10/07/2018

Atualidades

Casos de sarampo aumentaram 2.200% em Roraima apesar de campanha de vacinação, aponta governo

Número de casos confirmados em Roraima chegou a 200 após quatro meses. Secretaria de Saúde diz que vacinas estão disponíveis em todo estado. Na capital, prefeitura faz ação de casa em casa para tentar conter surto.


Além de sarampo, vacina protege contra caxumba e rubéola (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Quatro meses após o início da campanha de vacinação contra o sarampo em Roraima, o estado ainda vive um surto da doença. De lá para cá o número de casos saiu de 8 para 200, um aumento de 2.200%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Desde março, duas mortes foram confirmadas no estado pelo Ministério da Saúde no estado e a Secretaria de Saúde do Amazonas confirmou uma terceira em Manaus.

No primeiro dia da campanha em Roraima, que ocorreu em 10 de março, apenas 8 casos haviam sido confirmados. No último balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, feito nesta segunda-feira (9), são 200 pessoas diagnosticadas e outras 179 seguem em análise.

Conforme a diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Luciana Grisott, suspeitas continuam sendo registradas em todo estado. Mesmo com o alto número, ela afirma que os casos têm reduzido a cada mês.

De acordo com a prefeitura de Boa Vista, nos últimos meses, 84 casos de sarampo foram notificados: em abril foram 57, em maio, 24, e apenas 9 no mês junho. Ainda não há um balanço sobre o mês de julho.

Dos 15 municípios de Roraima, 11 possuem registro da doença, o que levou o governo a mudar, em abril desse ano, o status de surto para epidemia, mas, atualmente, por definição do Ministério da Saúde, foi definido que o estado vive um surto de sarampo.

Vacinação
A solução é imunizar. Os governos estadual e municipal seguem com a vacina nas unidades básicas de saúde, já que Roraima ainda não atingiu a meta de 95% da população imunizada estabelecida pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a Sesau, a cobertura vacinal em Roraima chegou a apenas 30,55%, mesmo com a campanha de vacinação. Em Boa Vista, onde a maioria dos casos é registrado, esse índice é de 49,5%.

Para alcançar um número maior de pessoas, servidores do município iniciaram nesta semana a segunda etapa de imunização de casa em casa, onde percorrem residências de 13 bairros da cidade.

No ano passado, Roraima também não atingiu a meta, vacinando 87% do público alvo, segundo o Ministério da Saúde. Nos dois anos anteriories (2015 e 2016) essa porcentagem foi de 108% e 90%, respectivamente.

Surto importado da Venezuela
Análises da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório de referência do Ministério da Saúde, apontam que o vírus que circula em Roraima é importado da Venezuela.

O primeiro diagnóstico da doença em Roraima foi registrado no mês de fevereiro em uma bebê venezuelana de 1 ano. Ela morava com os pais e outras dezenas de imigrantes em uma praça no Centro de Boa Vista.

Após a identificação, uma extensa ação de vacinação foi realizada em praças e abrigos em Boa Vista para tentar reduzir o avanço da doença no estado que recebe, desde 2015, um crescente número de imigrantes venezuelanos.


Prefeitura já vacinou venezuelanos nas ruas e praças e Boa Vista (Foto: Jackson Félix/G1 RR)

O sarampo havia sido erradicado do Brasil em 2001, mas com o avanço dos casos em Roraima a campanha de vacinação contra a doença foi antecipada de agosto para março deste ano.

Atualmente, apesar do término da campanha, em 20 de abril, as vacinas continuam disponíveis em todo estado.

Vizinho de Roraima, o Amazonas também vive um surto de sarampo. Atualmente 263 pessoas foram infectadas no maior estado do país.

Somados, 463 casos da doença foram confirmados em Roraima e Amazonas. Até agora são três mortes no ano no Brasil em razão da doença, duas no estado e uma em Manaus.

Quem são os mais afetados em RR?
Dos 200 casos confirmados, 66% são de nacionalidade venezuelana. O número de imigrantes diagnosticados com a doença no estado é de 133 pessoas.

Além da maioria das vítimas serem venezuelanos, os casos confirmados em Roraima têm perfil definido: são bebês e crianças de até 9 anos, maioria do sexo masculino e não indígenas.

De março a junho, dois óbitos foram confirmados relacionados a doença em Roraima e um continua em investigação pela Fiocruz.

Veja o perfil dos casos confirmados em Roraima:




Esquema vacinal
Na rede pública, a vacina administrada é a tríplice viral, que protege contra caxumba, rubéola e sarampo. O esquema vacinal contra o sarampo para crianças é de uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses (a tetra viral) de idade.

Para adolescentes e adultos até 49 anos :

Até os 29 anos – duas doses, podendo ser da tríplice ou tetra viral

Dos 30 aos 49 anos – dose única, podendo ser tríplice ou tetra viral

Quem já tomou duas doses durante a vida, tríplice ou tetra, não precisa voltar a receber a vacina, mas, na dúvida, a recomendação é procurar as unidades de saúde para se imunizar.

Segundo Márcia Figueiredo, coordenadora Imunização de Boa Vista, para receber a dose não é necessário documentação, mas o ideal é que as pessoas apresentem o cartão de vacina na unidade para análise do esquema vacinal.

"A vacina é o único meio de prevenir a doença porque o sarampo não tem um tratamento específico, ele advém da doença", explicou Márcia.

Além de imunizar, a cadeia de transmissão do sarampo é interrompida por meio da vacina, o que aumenta ainda mais a importância dela.

"O Ministério da Saúde permanece monitorando a situação do sarampo em todo país, especialmente em Roraima e no Amazonas, e as medidas de controle e prevenção já estão sendo realizadas", informou o MS em nota.

Eliminação do sarampo
Segundo o Ministério da Saúde, em 2016 o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo e atualmente tenta manter o certificado por meio do fortalecimento da vigilância epidemiológica.

Entre 2013 e 2015 ocorreram surtos em pacientes vindos de outros países. Neste período, 1.310 casos da doença foram registrados em todo país. O maior deles foram nos estados de Pernambuco e Ceará.

Em Roraima, o último caso havia sido confirmado justamente nessa época, quando um adulto de 40 anos voltou de viagem do Nordeste do Brasil com a doença.

Para conter os surtos de sarampo no Ceará e Pernambuco entre 2013 e 2015 as ações de bloqueio realizadas pelo Ministério da Saúde - em conjunto com os estados e municípios - foram eficientes e resultaram na interrupção da transmissão da doença.

G1.globo.com