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Publicado em 11/05/2018

Atualidades

OMS se prepara para o "pior cenário" diante do surto de ebola na RDC


Agentes de saúde trabalham para o controle do ebola no Congo; novos casos preocupam OMS (Foto: Media Coulibaly/Reuters)


A Organização Mundial da Saúde (OMS) prepara-se para o "pior cenário" possível perante o novo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), onde já foam detectados 32 casos suspeitos da doença.


Na terça-feira, o Ministério da Saúde da RDC notificou que tinha confirmado dois casos de ebola em laboratório e no mesmo dia foi declarado oficialmente um novo surto no país, palco de várias epidemias no passado.


As Equipes da OMS, Unicef, Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) e Médicos sem Fronteiras (MSF) se desdobraram na região onde surgiu o surto, em Bikoro (noroeste), um local remoto a 280 quilômetros da capital provincial e com uma infraestrutura muito pobre, segundo explicou em entrevista coletiva o diretor de emergências da OMS, Peter Salama.


"Estamos muito preocupados porque a área onde surgiu é remota e muito pobre e com um acesso muito precário, com o que a chegada de assistência é um desafio por si mesmo", afirmou o especialista.


Por isso, a OMS está a ponto de assinar um acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) para contar com helicópteros nos quais poderá transportar pessoal e materiais, e ao mesmo tempo, está planejando a possibilidade de criar uma pista de aterrissagem para que os aviões possam aterrissar.


"Temos medo de que o surto se expanda a Bandaka, a capital provincial, com um milhão de habitantes. Se chegar a essa cidade, teremos um surto maior e um desafio muito grande, porque sabemos da nossa experiência na África Ocidental que quando o ebola chega à grande cidade, e especialmente a áreas de favelas, é muito difícil deter a doença", afirmou Salama.


Salama assumiu que a resposta da OMS está sendo "imediata" e totalmente pró-ativa após as críticas feitas à organização em 2014 pela sua tardia reação ao surto de ebola na África Ocidental, que terminou com 11,3 mil mortes e mais de 28 mil casos.


Dessa experiência ficou a lição de que é essencial desdobrar no terreno antropólogos e especialistas em comunicação comunitária para explicar à população local os riscos de estar em contato direto com uma pessoa doente, dado que o vírus do ebola é transmitido pela secreção da pele e as mucosas, especialmente logo depois de morrer.


Na anterior epidemia, o vírus se expandiu de forma exponencial por causa da tradição de lavar e beijar os mortos em grandes funerais, um costume que também ocorre na RDC. Salama confirmou que tudo indica que a transmissão em um funeral também ocorreu nesta epidemia.


Além disso, foi confirmada a morte de três trabalhadores da saúde supostamente infectados por ebola, o que "preocupa muitíssimo" porque os médicos foram também no passado focos importantes de transmissão. Todas as organizações envolvidas desdobrarão neste fim de semana antropólogos no terreno.


Além disso, a OMS está se preparando para poder iniciar uma campanha de vacinação assim que o governo dê sinal verde, e Gavi, a Aliança para a Imunização, já anunciou que financiará as vacinas. É necessário o consentimento do Governo, dado que é ainda uma vacina experimental sem licença e o risco de efeitos secundários é alto.


"Além disso, é necessário que as bovinas estejam a uma temperatura de entre -60 e -80 graus centígrados, o que significa um desafio de organização enorme", especificou. As 40 pessoas que trabalharam nos testes clínicos da bovina em Guiné serão os que implementarão o projeto na RDC se for aprovado.


Além disso, a OMS pôs em alerta a nove países fronteiriços da RDC, embora estão especialmente preocupados com o risco de contágio no Congo e na República Centro-Africana, porque compartilham vias fluviais com Kinshasa.

www.EFE.com.br