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Publicado em 07/12/2017

Atualidades

Banco Central reduz juros básicos para 7% ao ano, menor taxa em 31 anos

Mesmo assim, juros reais seguem elevados na comparação com outros países, assim como as taxas bancárias. Copom sinaliza que juros podem cair novamente em fevereiro.


No décimo corte consecutivo, Copom baixa juro básico para 7% ao ano; taxa Selic é a menor desde 1986

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (6) o corte da taxa básica de juros da economia brasileira de 7,5% para 7% ao ano.

Essa foi a décima redução seguida na Selic, o que levou a taxa ao menor patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986, ou seja, em pouco mais de 30 anos.
 
Economistas do mercado financeiro, contudo, trabalham com séries históricas mais antigas que a do BC – segundo estudo de Maurício Molan, do banco Santander, em 7% ao ano, a taxa interbancária "overnight" (muito próxima à Selic) é a menor dos últimos 60 anos.



A queda de 0,5 ponto percentual, que já era esperada pelos economistas do mercado financeiro, representa nova redução no ritmo de corte dos juros – que havia sido de 0,75 ponto percentual no fim de outubro. O próprio BC já havia indicado que essa desaceleração aconteceria.

Após a divulgação pelo Copom, o presidente Michel Temer publicou a seguinte mensagem no Twitter: "Selic chegou ao menor nível histórico. Esse momento é consequência das medidas econômicas adotadas pelo nosso governo. Criamos as condições para o @BancoCentralBR reduzir os juros e vamos continuar trabalhando para que as coisas melhorem ainda mais".

A estimativa dos analistas é que a Selic deverá ter novo recuo em fevereiro de 2018, quando o Copom se reunirá novamente.

A previsão do mercado é a de que a Selic cairá para 6,75% ao ano, permanecendo nesse patamar até dezembro de 2018 – quando poderá subir para 7%, segundo estimativa do mercado.

O que diz o Banco Central
Para a próxima reunião, marcada para fevereiro, o Banco Central informou que, caso o cenário básico evolua conforme esperado, vê "neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", ou seja, um novo corte de juros.

"Essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores", acrescentou a autoridade monetária.

Informou ainda que, depois da reunião de fevereiro, o Copom entende que o atual estágio do ciclo recomenda "cautela na condução da política monetária", ou seja, na fixação dos juros básicos da economia.

"O Copom ressalta que o processo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação", acrescentou.

O BC informou também que, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio do mercado financeiro, as projeções da instituição para a inflação situam-se em torno de 2,9% para 2017, de 4,2% para 2018 e 4,2% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 e 2018 em 7,0% e 2019 em 8,% ao ano.

Taxa real e juros bancários elevados
Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil caiu de terceiro para quarto lugar no ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.

Com os juros básicos em 7% ao ano, a taxa real do Brasil soma 2,88% ao ano, atrás da Turquia, da Rússia e da Argentina - com juros reais de 5,87% ao ano, de 4,18% ao ano e de 3% ao ano, respectivamente. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 0,1% ao ano.

Mesmo com a taxa Selic próxima do menor patamar das últimas três décadas, os juros bancários seguem em níveis elevados para padrões internacionais, segundo os economistas do mercado.

Em outubro deste ano, segundo o BC, a taxa média de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas, com recursos livres) somou 43,6% ao ano - muito acima da taxa básica.

Rendimento da poupança
Com o novo recuo da Selic nesta quarta, o rendimento da poupança também deverá cair a partir desta quinta (7).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Com o recuo do juro básico para 7% ao ano, a partir desta quinta a correção da poupança passará a ser de 70% desse valor – o equivalente a 4,9% ao ano, mais Taxa Referencial.

'Excelente opção'
Mesmo assim, segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança "vai continuar sendo uma excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano".

O rendimento da poupança pode ficar ainda menor caso o Copom promova novos cortes na Selic nos próximos meses - analistas consultados pelo BC estimam que os juros básicos caiam para 6,75% ao ano em fevereiro.

No fim do ano passado, dado mais recente, o país tinha mais de 148 milhões de contas poupança ativas, que concentravam R$ 658 bilhões. Em novembro deste ano, o valor já havia superado a marca dos R$ 700 bilhões.

g1.globo.com

Alexandro Martello