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Publicado em 06/10/2017

Atualidades

Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares ganha Nobel da Paz 2017

Prêmio foi concedido ao grupo 'por seu trabalho em voltar as atenções para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso' de tais armamentos


O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, na sigla inglesa)

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican) ganhou nesta sexta-feira, 6, o Nobel da Paz de 2017. A organização concedeu o prêmio ao grupo "por seu trabalho em voltar as atenções para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso de armas nucleares e por seus esforços pioneiros para alcançar um pacto com base na proibição de tais armamentos". No ano anterior, o ganhador foi o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em razão de seu trabalho para estabelecer um acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Ican é uma coalizão de grupos não governamentais presente em mais de 100 países. Apesar de ter surgido na Austrália, foi oficialmente fundado em Viena, em 2007. "Vivemos em um mundo onde o risco do uso de armas nucleares é maior do que vinha sendo há muito tempo", disse Berit Reiss-Andersen, líder do comitê norueguês do Nobel. A porta-voz do grupo, Beatrice Fihn, disse estar "encantada" com o prêmio.

"Por meio de seu apoio inspirador e inovador às negociações das Nações Unidas para estabelecer um acordo que proíbe as armas nucleares, o Ican teve uma grande participação em trazer para o nosso cotidiano e época o equivalente a um congresso internacional da paz", informou o comunicado lido por Berit.

Questionada por jornalistas se o prêmio foi algo essencialmente simbólico, já que nenhuma decisão internacional contra esses armamentos foi tomada, ela afirmou que "o que não terá impacto é ser passivo" ao assunto.


Medalha com o busto de Alfred Nobel em Estocolmo, na Suécia, antes do anúncio do primeiro prêmio de 2017, o Nobel de Medicina Foto: AFP PHOTO / Jonathan NACKSTRAND

Em julho, 122 nações adotaram o Tratado das Nações Unidas para a Proibição das Armas Nucleares, mas os Estados que possuem esse tipo de armamento, como EUA, Rússia, China, Reino Unido e França, não participaram das negociações.

"O prêmio deste ano também é um apelo para que estes Estados iniciem negociações sérias visando a eliminação de forma gradual, equilibrada e cuidadosamente supervisionada de quase 15 mil armas nucleares que existem no mundo", disse Berit.

Na lista de candidatos no mesmo ano ainda estavam negociadores, voluntários sírios e um papa. A entidade revelou na época o número recorde de concorrentes (376). Neste ano, foram 318 candidatos ao Nobel da Paz, sendo 215 indivíduos e 103 organizações.

Além do vencedor, vários outros nomes apareciam como favoritos entre os especialistas. Um deles era a chanceler alemã, Angela Merkel, por abrir suas fronteiras para receber milhares de imigrantes.

Outro concorrente era a organização Capacetes Brancos, oficialmente denominados de Defesa Civil Síria, que atuou com cerca de 3 mil pessoas para resgatar vidas em escombros.

Um acordo que poderia resultar em prêmio seria o entendimento nuclear entre EUA, União Europeia (UE) e Irã, em julho de 2015. Naquele momento, os chefes da diplomacia dos dois países e do bloco - John Kerry, Mohammad Javad Zarif e Federica Mogherini - superaram anos de desconfianças para fechar o pacto histórico.

estadao.com.br