Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

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Publicado em 01/09/2017

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Uma Geração Inconsequente



“E Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o nome da menor Raquel. Lia tinha olhos tenros, mas Raquel era de formoso semblante e formosa à vista. E Jacó amava a Raquel, e disse: Sete anos te servirei por Raquel, tua filha menor. Então disse Labão: Melhor é que eu a dê a ti, do que eu a dê a outro homem; fica comigo. Assim serviu Jacó sete anos por Raquel; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava. E disse Jacó a Labão: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela.”  (Gn 29.16-21)

O drama vivido por este casal naquele tempo soa muito comum em nossos dias. É nítido que temos uma geração carente por referenciais. Um ciclo que se inicia normalmente no seio familiar e que desencadeia vários processos críticos, como: pais permissivos e jovens imaturos, e inconsequentes que fogem de responsabilidades e compromissos. Jacó teve uma educação protetora de sua mãe que o incentivava a enganar seu pai e seu irmão gêmeo Esaú. Jacó fugiu de casa por causa da fúria de seu irmão e foi morar com seu tio Labão. Chegando lá, se encontrou com Raquel e se apaixonou. Na pressa de casar-se com Raquel, não percebeu que fora enganado pelo seu futuro sogro, Labão, que em vez de entregar Raquel enviou Lia para a consumação do casamento.

Jacó representa uma geração inconsequente que foge dos problemas e associa uma mudança, seja de lugar, matrimônio, emprego ou bens materiais que podem preencher o vazio na alma, mas continuam confusos e inconstantes. Em vez de assumir as consequências por seus atos e solucionar a situação anterior, foge e enamora-se da jovem Raquel acreditando que encontrará nela a paz e a segurança que perdeu ao mentir para seu pai e fugir de seu irmão Esaú. 

Alguns “Jacós” acreditam que envolver-se num relacionamento amoroso e casar-se pode trazer-lhes paz que tanto anseiam. Normalmente, o resultado é muito desastroso para ambos. Ao desejar Raquel como esposa, Jacó foi enganado ardilosamente por Labão que enviou sua filha mais velha Lia para consumação do casamento. Cabe aqui lembrar que os termos do contrato nupcial foram feitos pelo próprio Jacó ao seu sogro: “Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova" (Gn 29:18). Na pressa, Jacó não leu as entrelinhas do contrato, no caso aqui, era conhecer a cultura local. Um jovem tão astuto que de enganador passa agora a ser o enganado.  

A geração de Jacó revela ainda algo tão comum em nossos dias: A urgência em satisfazer seu vazio de forma precipitada sem medir as consequências, e que podem prejudicar indiretamente a vida de outras pessoas. Pouco se fala sobre Lia, a irmã mais velha de Raquel e não tão bonita quanto ela. O nome de Lia significa “olhos tenros” que em algumas traduções está “olhos tristes”. Imagine uma jovem rejeitada desde pequena pelo pai que a obriga viver um relacionamento sem amor com um homem que desconhecia e amava outra.
 
A falta de amor na base familiar desencadeia: carência, rejeição, depressão, suicídios e outras patologias da alma que afligem em muito essa geração. A geração de Jacó e Lia, representa uma geração em crise de identidade. Que vive em função dos acontecimentos e, portanto, não conseguem gerir suas vidas, porque não re-conhece o Senhor como seu verdadeiro Pai. Quantos jovens estão vagando sem sentido? Apenas conhecendo o Pai essa geração encontrará sentido na vida.  O Senhor conhece nossa alma. Ele contempla o descontentamento de Lia e lhe concede filhos (Gn 29.31). Há ensinamentos preciosos no nascimento de cada filho seu. 

O 1º filho chamou-se Ruben, pois dizia: "O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará." (Gn 29.32). Filhos não preenchem o vazio d’alma. Aqui, fazemos menção do esforço próprio de Lia para ser aceita por Jacó. Lia continuou tentando.

O 2º filho chamou-se Simeão "Porque o Senhor ouviu que sou desprezada, deu-me também este." (Gn 29.33). O foco de Lia ainda era o seu desprezo. Quantos jovens querem ser aceitos na sociedade por méritos próprios e isso causa um desgaste e, ás vezes, até um esforço descomunal e quando não conseguem, frustram-se.

O 3º filho: "Agora, finalmente, meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei três filhos.”(Gn 29.34). Por isso, deu-lhe o nome de Levi. Lia acreditava que pela quantidade de filhos seu marido se afeiçoaria à ela. Este é o último esforço empregado na tentativa de agradar, sendo aceita e amada. Mais uma tentativa frustrada.

Ao ter o último filho, Lia se voltou para o Senhor e o adorou. Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais outro filho, disse: "Desta vez louvarei ao SENHOR." (Gn 29.35). Assim deu-lhe o nome de Judá e então parou de ter filhos. O foco de Lia mudou, em meio ao desprezo e a dor, ela se lembrou do Senhor e o adorou. Judá foi o líder da principal tribo de Israel e da linhagem de Judá vieram príncipes e reis, como Davi e Jesus.

Jacó e Lia são representações de gerações que não tem uma identidade definida. Vivem no engano ou enganados como Jacó ou desprezados e rejeitados como Lia.
Para essas gerações, Deus enviou o seu filho Jesus porque Ele é a nossa identidade. Só Ele pode trazer de volta a essência que foi perdida.

Ao adorar Jesus, vamos nos lembrar que há um caminho. Que temos um pai que nos ama e nos chama de Filhos. Só Ele pode curar os “Jacós” e “Lias” dessa geração! 

Simone Maia

É Bacharel em Pedagogia (UCB) e Teologia (FAECAD). Casada, mãe de dois filhos, professora de DEBQ e membro da Igreja do Evangelho Quadrangular de Bangu-RJ.